10 Maneiras de Deixar sua Marca Mais Eco-friendly




Se você tem um marca com produção artesanal e está procurando soluções que adequem o seu negócio às atuais (mas sempre pertinentes) demandas ecológicas e não sabe por onde começar, você chegou no lugar certo! Separamos algumas dicas que podem te ajudar a reduzir a pegada de carbono da sua empresa e deixar a sua produção mais ‘limpa’.


Sabemos que o nosso atual modelo econômico é voltado para a retenção de capital e geração de lucros a todo custo, e que isso acabou deixou as nossas questões sociais e ecológicas de lado, priorizando as demandas financeiras. Isso fez a busca por alternativas sustentáveis crescer e a mudança de hábitos, necessária. Clientes e empresas passaram a repensar seus valores e atitudes, bem como seu modo de vida e os impactos de suas ações no mundo.


O nosso desafio é nadar contra a corrente e encontrar alternativas viáveis para que as pequenas marcas consigam diminuir o dano ambiental e incentivar práticas que sejam positivas sócio-econômico-ambientais. Afinal, esses são os três principais pilares de uma marca que é sustentável, como já falamos aqui no blog. Nós, como pequenas marcas, somos responsáveis por difundir e educar os consumidores quanto às práticas nocivas das grandes empresas e como o produzir artesanal se distancia disso e pode ganhar espaço se diferenciando nesse mercado.


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1- Compensação Ambiental: Selo Eureciclo


Já falamos da importância da reciclagem aqui no blog, e até sobre o Selo Eureciclo. O Selo foi idealizado para solucionar dois grandes problemas: a destinação final de embalagens geradas por empresas e a marginalização dos agentes da cadeia de reciclagem.


Assim surge a ideia da compensação ambiental: as empresas pagam as cooperativas para retirarem do meio ambiente uma quantidade equivalente de material ao das embalagens de seus produtos. A EuReciclo traz uma solução essencialmente atrelada aos impactos positivos no meio ambiente e nas pessoas que trabalham no setor da reciclagem.


Os índices de reciclagem no Brasil ainda são baixíssimos e a produção de resíduos é imensa. Catadores e cooperados fazem um trabalho de grande importância e não são valorizados. Nos oceanos já estão se formando ilhas de lixo e o microplástico já faz parte da nossa cadeia alimentar. A lei para resolver o problema existe, mas quem cumpre? Foi por todos esses desafios que o selo EuReciclo surgiu e a sua missão é mudar essa realidade.


Desde que foi criada no Brasil, a empresa gerou um aumento de até 15% na renda dos cooperados(as), impactou mais de 800 cooperados(as) em 8 estados e rastreou mais de 160 mil toneladas de resíduos sólidos. E já opera desde junho de 2017 no Chile. E não para por aí! O selo EuReciclo busca, além de desenvolver a cadeia de reciclagem no país, também levar educação ambiental e informação para que os consumidores se empoderem e possam tomar decisões mais responsáveis.


Leia Mais: Logística Reversa e Selo EuReciclo. Você sabe o que é?


2- Reduza o Impacto das Embalagens


Será que conseguimos mensurar o real impacto que as embalagens causam no meio ambiente? Acabamos criando um produto com o único intuito de transportar um outro produto dentro dele. Além disso, as embalagens são de uso único, ou seja, são descartadas logo após cumprir o seu papel de transportar. Sacolas, caixas, proteções, cartões, embrulho, fita adesiva, identificação de mercadoria, nota fiscal. Quantos sub-produtos acabam sendo criados quando fazemos uma encomenda online, por exemplo? Muitos!

Uma forma eficaz de reduzir a pegada da sua empresa é adequando o tamanho, material que é produzida e até formato das embalagens. Vamos começar falando do tamanho das caixas: quanto menor a caixa, menor o gasto de matéria-prima e espaço utilizado para transporte. A mesma coisa acontece com os formatos: dê preferência para os formatos quadrados e retangulares que podem ser empilhados mais facilmente, otimizando a logística da entrega. Quanto ao material, dê escolhas os que tem origem reciclada para embrulhos externos, caixas, papéis informativos, etc. O papelão, o papel kraft, papel manilha e papel reciclado são ótimas alternativas que falaremos mais abaixo.



Dica extra: um produto que não fica sambando dentro da caixa chega ao destino final com menos avarias ;)


3- Substitua as Fitas Adesivas!


Você já adequou sua embalagens, seus papéis de embrulho e está tentando reduzir sua pegada, até que precisa fechar a sua caixa e se depara com o dilema: Como substituo a fita adesiva de plástico? Usar fita crepe seria uma solução legal, afinal ela feita de papel. Infelizmente ela não tem a resistência necessária para lacrar as caixas contra violações, mas a fita gomada tem!


A fita gomada é feita a partir do papel Kraft, recebe uma camada de cola vegetal (feita de amido) que é ativada com água. Ao contrário da fita adesiva plástica tradicional, ela é completamente reciclável e se decompõe em 6 meses! É resistente, tem alta adesividade e algumas empresas que fabricam embalagens conseguem personalizar mensagens nessas fitas.


Não se deixe enganar: a fita gomada reforçada não é a mesma que a fita gomada comum. A reforçada tem fios finos de poliéster que são difíceis de serem separados da fita e não permitem sua reciclagem!


4- Itens de Papelaria / Informativos


Seus cartões de visita e panfletos também podem ser ecofriendly se forem utilizados materiais com baixo impacto na natureza. Separamos alguns exemplos abaixo para indicar:


  1. Papel Kraft - é feito a partir de matéria-prima virgem de cascas e fibras de árvores e não passa pelo processo químico de branqueamento, é resistente e tem cor parecida com a do papelão.

  2. Papel Manilha - tem origem reciclada, é encontrado comumente nas cores branco/bege e rosa. É resistente e muito utilizado para embalar vidros e espelhos.

  3. Papel Reciclado - é feito a partir do trituramento de outros papéis que foram descartados, depois recomposto num novo papel. Você encontra com diversos tipos de cores e gramaturas, não é tão resistente mas é muito bonito para cartões e folhetos.

  4. Papel Semente - papel reciclado com inclusão de sementes que pode ser descartado na terra ou compostado, gerando novas plantinhas.



3- Proteja os Produtos sem Plástico


Muito provavelmente você já se deparou com o seguinte problema: Sua peça está produzida, você usa cartões, papeis e até a embalagem de papelão ou papel reciclado para diminuir o uso de plásticos e materiais que sejam de difícil reciclagem, mas na hora de enviar seu produto, precisa fazer o uso de plástico bolha ou flocos de isopor para proteger suas peças e todo seu esforço de ser ecológico entra em conflito.


O isopor e plástico bolha são materiais plásticos, ou seja, derivados do petróleo e que demandam muiiiito tempo para se decompor no meio ambiente. Para tentar solucionar esse problema, as empresas criaram o “plástico ecológico”, ou “plástico verde” e o “isopor ecológico” ou “isopor verde” que levam em sua composição matéria-prima vegetal - geralmente cana-de-açúcar. Apesar da decomposição desses materiais ecológicos ser um pouco mais rápida, eles continuam usando uma matéria-prima muito durável, para uma coisa que vais er rapidamente descartada. É aí que o extrusado de milho entra em ação!


E é aí que entra o BIOPACK - que são esses tubinhos verdes que aparentemente se assemelham com o isopor, mas são 100% feitos de milho, solúveis em água, biodegradáveis e compostáveis. O extrusado de milho é basicamente um biscoito de milho - exatamente como esses industriais que comemos - que leva apenas corante alimentício, milho e água em sua composição.


Por ser vendido nesse formato de “floco”, ele se molda à diversos tipos de embalagens sem necessidade de utilizar moldes e pode proteger até equipamentos eletrônicos, visto que é antiestático. Seus testes comprovam que o desempenho dele se assemelha ao da espuma de poliuretano (isopor) e ele pode ser descartado em qualquer lixo orgânico ou até mesmo na terra após seu uso. É usado e indicado para o envio de mercadorias internacionais por se adequar aos parâmetros requisitado pela Europa e Estados Unidos, por exemplo.


4- Diminua os Químicos


Para quem trabalha com marcenaria como nós aqui da FF Design, o uso vernizes e produtos químicos para limpeza e acabamento de produtos é grande, o que gera uma poluição grande levando em conta tanto as embalagens desses químicos que não podem ser reutilizadas, quanto o uso desses poluentes em si. Para isso, nós optamos por usar somente produtos biodegradáveis, de origem vegetal ou com o mínimo de químicos possíveis como: vernizes, tintas e acabamentos à base d’água, óleos vegetais e sabões e detergentes naturais.


Um dos fornecedores da marca é a General Iron Fittings

Eles produzem óleos, vernizes, ceras e solventes em território nacional, com excelente qualidade e preocupação ambiental. Na maioria de seus produtos, existe a descrição da porcentagem de COV (Compostos Orgânicos Voláteis) - que em altas quantidades pode ser tóxico, e a quantidade matéria-prima renovável utilizada para produção. Também desenvolveram uma linha ecológica de produtos para acabamento de madeira, que além de respeitar a nossa saúde – pela baixa toxicidade, baixo odor, e vapores não-tóxicos – respeita o meio ambiente.


Isso nos leva ao próximo tópico que é muito importante!


6- Fornecedores


Para criar o seu produto (seja ele qual for) dê preferência por fornecedores que vendam matérias-primas com certificados ambientais e/ou que sejam produzidos localmente (ou por cooperativas), menos poluentes ou que usem matérias-primas vegetais e renováveis, por exemplo.


Podemos fortalecer a economia e diversidade local comprando desses pequenos empreendedores que tem uma produção justa e sua atuação tem menor impacto ambiental.


7- Não Pare de Pesquisar


A sustentabilidade nunca teve tanto destaque como antes: novas pesquisas e alternativas sustentáveis surgem todos os dias e se manter informado é essencial para acompanhar as transições. Já existem algumas vitrines virtuais que reúnem produtores sustentáveis e você consegue fazer uma busca pelo material que está procurando.


A Matéria-Brasil é uma dessas galerias. Ela é uma empresa de consultoria, design, conhecimento e desenvolvimento em projetos, produtos e pesquisa de matérias-primas sustentáveis que geram impacto socioambiental positivo, no site deles você pode se incrível como um produtor de matéria-prima ecológica e achar uma lista de outros produtores, vale a pena conferir.

Foto: Materioteca da USP


A Materialize é a materioteca (biblioteca de materiais) da USP-SP criada pelas professoras Denise Dantas e Cristiane Aun Bertoldi, ela armazena em acervo físico e digital amostras de diversos materiais. Alguns deles são materiais novos, frutos de pesquisas de inovação da própria USP e de todo o Brasil. Na foto vemos as chapas acrílicas orgânicas fazem parte do acervo da materioteca da FAU.


Outra vitrine virtual de materiais sustentáveis é a Materia Lab que conta com um acervo de materiais e tecnologias de baixo impacto ambiental, com pesquisa brasileira e internacional. São mais de 500 materiais e 200 fornecedores, classificados de acordo com indicadores como


8- Treine Seu Olhar


Como assim? Treinar o meu olhar é uma dica para deixar minha marca mais sustentável? Com certeza! Quando você observa com atenção seu processo produtivo, consegue otimizar processos e reduzir desperdícios provenientes desse processo.


Numa mesa de corte de moda ou numa chapa que vai receber o corte na marcenaria, pensar na disposição dos itens que serão cortados visando a menor geração de refugo é essencial. Assim como o processo pode ser ao contrário: rearranjar os cortes para abrir espaços maiores que possam ser utilizados... são muitas possibilidades. Mas, mesmo assim você ainda produzir sobras, não se preocupe: treine seu olhar!


O seu lixo pode ser o tesouro de outra marca. Porque não oferecer o seu refugo para uma empresa que possa utilizá-lo? Ou mesmo criar um produto em parceria com ela utilizando esse material? Que tal a sua própria marca pensar num novo produto criado com esse refugo?


09- Vegetal é o Futuro


Renovável, biodegradável, reciclado, reciclável e durável, ou seja, sustentáveis! Os materiais de origem microbiológica (bactérias) e vegetal surgem para quebrar todos os paradigmas: não consomem muita água no processo, são de origem renovável, utilizam materiais que seriam descartados, podem ser reciclados e são super resistentes. Confira alguns desses materiais: 'Plástico Feito de Mandioca, Resinas Poliuretana de Mamona, Couro Feito com Folha de Abacaxi, Pele de Cactos, Tecidos Biológicos de Bactérias, Couro de Bactérias, Couro vegetal, etc.


10- Impacte Positivamente: Engaje os Clientes


Nem sempre é fácil implementar medidas mais sustentáveis dentro da marca, com certeza é um processo que envolve um pouco mais de dinheiro e vai aumentar o valor dos seus produtos. Podemos ver por essa ótica, ou podemos ver que estamos gerando valor agregado ao produto: produtos sustentáveis são menos poluentes, usam menos químicos, são recicláveis e geralmente mais duráveis. Exponha essas informações para o cliente saber exatamente o que ele está pagando, que no valor que você cobra existe uma preocupação socioambiental por trás!


Ao final, se for para gerar algum impacto, que seja positivo! Compartilhe suas mudanças internas, as inovações que você descobriu ou implementou na sua marca ou no seu dia-a-dia. Converse com os clientes, faça publicações e divulgações sobre sustentabilidade: conscientização também gera impacto (positivo) no meio ambiente.


Gostou dessas dicas? Não esqueça de compartilhar com um amigo que também gostaria delas!



Fontes

Scarcelli, Ecofill, Tulipack, Agata Markel, Superbolhas, Teste Resistência BioPack, Shopf Papier, General Iron Fittings, Maia Digital,

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